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  • Marcelo Faria de Barros

Manifesto dos anos 30 chamava o Globo de "pasquim dos imperialistas"

Atualizado: Mar 7

O jornal O Globo sempre foi visto como um veículo de informação preocupado em deformar grosseiramente os fatos. Para os críticos, a prioridade, desde o início, era desinformar. Manipular a notícia para desmobilizar e dividir o leitor, como acontece até hoje, não só com O Globo, mas com a TV Globo, Estadão, TV Record, Band, quer dizer, a grande mídia em geral.


Em 1934 o Brasil vivia um momento político instável e perigoso. Setores do governo Getúlio Vargas flertavam, com interesse, com o nazismo alemão. Para isso tinham o apoio de O Globo, que já era conhecido pelo seu partidarismo político e defesa dos interesses dos ricos, proprietários dos meios de produção.


Nesta época forças políticas progressistas resolveram formar uma frente de lutas para contrapor ao imperialismo, fascismo e a versão brasileira do nazi-fascismo: o integralismo. E também contra a imprensa oportunista, que ignorava os pobres e defendia os interesses econômicos, empresariais e pessoais dos mais abastados.


Formou-se a Aliança Nacional Libertadora (ANL), não confundir com a Ação Libertadora Nacional (ALN) - também chamada de Alina - organização guerrilheira criada por Carlos Marighella, Joaquim Câmara Ferreira e outras lideranças, para combater o regime militar instalado no Brasil em 1964.


A Aliança Nacional Libertadora (ANL) era nacionalista e democrática. Teve a adesão de militares ligados ao Tenentismo, movimento rebelde de média e baixa patente, insatisfeito com políticas da Velha República, do governo Arthur Bernardes. A ANL instalou-se sob o comando do antigo Partido Comunista do Brasil (PCB), o Partidão. O lema era: “Pão , Terra e Liberdade”.



Luiz Carlos Prestes foi nomeado presidente de honra desta frente progressista. Prestes já era conhecido como o “Cavaleiro da Esperança”. Isso em razão de ter comandado, como capitão, o movimento militar “Coluna Prestes”, ligado ao Tenentismo, também contra a República Velha do presidente Arthur Bernardes. Na ocasião da nomeação, Prestes visitava Moscou.


A ANL, entre outras coisas, cuidou de orientar e conscientizar a população sobre os vários problemas que o País enfrentava: exploração econômica, crescente fascismo, questão da posse da terra, e mostrar quem eram os demagogos e oportunistas instalados no poder ou quem se beneficiava dele.


No trabalho conhecido como “agitação de superfície” realizados em torno de slogans, a Aliança Nacional Libertadora (ANL) distribuía panfletos com o retrato e nomes dos candidatos a cargos eletivos comprometidos e identificados com os anseios da população e da nação.


Divulgava também os candidatos que trabalhavam contra os interesses da população, uma característica muito comum nos políticos de hoje. Também para alertar a população foi impresso um cartaz contra o jornal O Globo pedindo para que o povo não comprasse “esse pasquim a serviço dos imperialistas”. Isso foi há 86 anos. Prova de que há quase um século a imprensa nacional trabalha contra os interesses dos brasileiros. Uma questão atávica que atravessa gerações, principalmente entre os herdeiros das empresas de comunicação.

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